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Informativos

Pilates

Pilates é um método alternativo de movimento criado nos Estados Unidos, na década de 20, pelo alemão Joseph Pilates. È uma técnica que procura trabalhar respiração, músculo, tendão e osso de forma harmônica para fazer o corpo funcionar com a maior perfeição. O maior objetivo do método é o de ensinar os seres humanos a entenderem seus corpos e, assim, usá-los de forma correta sentindo-se em forma para suas atividades sociais, profissionais e pessoais.

O método utiliza alguns equipamentos com molas, os quais são o reformer, o trapézio, a cadeira e o barril ou pode ser realizado no solo, com uso de acessórios como bolas, bastões, rolos, caracterizando o Mat Pilates.

O método se baseia em seis princípios:

Princípio 1 – Respiração

Este princípio se baseia na organização do tronco com a inspiração e a expiração. Numa respiração ampla e bem feita ocorre uma maior troca de ar, o que proporciona uma melhor oxigenação do sangue e, consequentemente, melhor recuperação de lesões e bem estar. A respiração diafragmática com expiração forçada é a utilizada no método Pilates. A respiração diafragmática estimula a chegada do ar na base dos pulmões, o que leva a uma maior troca gasosa por haver maior números de alvéolos nesta região. A expiração forçada proporciona uma ativação dos músculos estabilizadores da coluna. Para que ela ocorra o cliente deve soltar o ar afunilando as costelas e levando o umbigo em direção às costas. A respiração facilita também o alongamento axial do corpo (princípio 2) diminuindo, assim, a quantidade de pressão intersegmentar na coluna, prevenindo sobrecargas e lesões. No método Pilates a respiração é utilizada como aliada para a estabilização da coluna, assim como para melhora de sua mobilidade.

A mobilidade é estimulada pelo movimento amplo das costelas e pelo fato de que na inspiração a coluna tende ao movimento de extensão e na expiração tende ao movimento de flexão. Enfim, a respiração facilita a organização do tronco.

Princípio 2 – Alongamento Axial / Controle de Centro

O alongamento axial da coluna provê um ambiente propício para o movimento segmentar da mesma e previne forças compressivas e de deslizamento nos discos intervertebrais, cartilagens etc, o que pode causar patologias à coluna. O controle de centro referese à ativação dos músculos estabilizadores do tronco, junto à respiração. Esta ativação dos músculos estabilizadores favorece o alongamento axial. A conexão entre o diafragma, transverso do abdome e assoalho pélvico cria um ambiente que dá suporte aos órgãos vitais e um alongamento axial da coluna. O afunilamento das costelas na expiração forçada e a ativação do transverso do abdome proporcionam o alongamento axial. Para um movimento bem feito, enquanto o mesmo ocorre, o controle de centro e o alongamento axial devem estar presentes. Assim, o tronco estará estável enquanto o mesmo se movimenta ou quando as extremidades superiores e/ou inferiores se movimentam quando o tronco está parado. Um trabalho desenvolvido por Hodges e Richardson comprovou a importância da ativação dos músculos estabilizadores da coluna, quando foi observado que nos indivíduos com dor lombar o músculo transverso do abdome não contraía antes de algum movimento da extremidade do corpo (braços ou pernas), e nos indivíduos sem dor, o transverso contraía logo antes do movimento, sendo um músculo preparatório para movimentos das extremidades, involuntariamente.

Princípio 3 – Eficiência de Movimento Através da Organização da Cintura Escapular, Colunas Torácica e Cervical

A aquisição e execução de um movimento eficiente facilitam a respiração e a troca de oxigênio. Uma boa organização da cintura escapular, colunas torácica e cervical diminui a respiração acessória o que poderia levar a disfunções na coluna cervical, compressão do plexo braquial, síndrome do desfiladeiro torácico e má postura de cabeça e coluna cervical. Esta organização requer um alinhamento postural otimizado preconizando espaço adequado entre as orelhas e os ombros, largura adequada nas clavículas e face e garganta relaxadas. O relaxamento cervical e torácico é importante para transferência eficaz de forças pelo esqueleto. A tensão desnecessária na cintura escapular e coluna torácica pode causar disparo motor errôneo e levar ao comprometimento do manguito rotador, vértebras torácicas, articulações costovertebrais e músculos intercostais.

Princípio 4 – Articulação da Coluna

Este princípio se baseia na teoria de que movimentos segmentares da coluna permitem uma distribuição igual de forças por toda a coluna. Quando o movimento ocorre em apenas alguns segmentos móveis, isto implicará em movimento excessivo nestes segmentos específicos. Esta hipermobilidade causa instabilidade e lesões. Dessa forma, para prevenir lesões, o movimento deve ser distribuído entre os múltiplos segmentos móveis da coluna e não se concentrar em apenas alguns deles. Esta boa distribuição da mobilidade na coluna é importante, devido ainda, a uma das Leis de Fryette, que diz que quando um segmento da coluna está com hipomobilidade em uma direção ele perde mobilidade também nas outras direções, o que alimentaria ainda mais o ciclo vicioso de hipomobilidade causando hipermobilidade e lesões. Existem estudos comprovando que indivíduos que melhoraram a mobilidade de flexão na coluna torácica, diminuíram a mobilidade excessiva de flexão que estava ocorrendo em L5-S1. O método Pilates facilita o acesso ao movimento disponível na coluna, distribuindo igualmente as forças entre os múltiplos segmentos móveis, evitandose traumas em segmentos instáveis, como por exemplo em L4-L5 e L5-S1.

Princípio 5 – Alinhamento e Descarga de Peso nas Extremidades Superiores e Inferiores

O bom alinhamento e descarga de peso nas extremidades deve ser observado para que a boa biomecânica do corpo seja mantida, evitando sobrecargas e lesões. Nos membros inferiores, por exemplo, este alinhamento adequado previne e/ou diminui rotações nos quadris, joelhos valgos ou varos, pés planos ou cavos, hálux valgo. Nos membros superiores, a descarga de peso deve se concentrar mais na parte ulnar do punho para prevenir sobrecarga articular (o rádio mantém maior proximidade com os ossos do carpo), o cotovelo deve estar semifletido e sua parte ventral deve estar voltada para dentro, as escápulas devem estar bem aderidas ao gradil costal mantendo ativo o musculo serrátil e a distância adequada entre orelhas e ombros deve ser respeitada (trapézios relaxados). O alinhamento correto das extremidades é essencisal para transferência eficaz de forças entre quem se move e o ambiente.

Princípio 6 – Integração de Movimento da Pelve, Tórax, Cabeça e Extremidades

Este último princípio se fundamenta na integração dos 5 princípios anteriores, é a união de todos eles. O maior objetivo deste princípio é integrar a coluna torácica e a pelve porque é delas que se organizam os membros superiores e os inferiores. Este princípio permite a aquisição de habilidades motoras mais avançadas, são múltiplas partes do corpo se movendo ao mesmo tempo. A pelve pode funcionar como uma manivela para a coluna, movendo-a em flexão, extensão, rotação e flexão lateral ou translação. A movimentação precisa da pelve pelo espaço é essencial para o movimento funcional eficaz. A integração das costelas com a pelve facilita o alongamento axial e alguns movimentos da coluna.

A integração da cabeça no tronco pode aumentar a estabilidade do pescoço em grandes ADMs (amplitude de movimento). A integração do tronco e extremidades viabiliza a maior produção de força nas extremidades. Isto é essencialmente importante nos esportes de arremesso, de raquete e golfe. O poder da combinação de controle de centro, articulação de coluna e integração das extremidades superior e inferior, provê um ambiente excelente para a melhora e domínio da performance.

Por Fabiana Costa de Oliveira Bertú – 10/10/2007